Como os italianos se cumprimentam? (primeira parte)

Ciao a tutti! Come va?

No nosso post de hoje, falaremos dos cumprimentos [dei saluti], um tema muito importante para que possamos estabelecer os primeiros contatos [i primi contatti], quando formos à Itália.

cumprimentar - oitoronto

(Créditos da imagem: Oi Otranto)

Quais são os principais cumprimentos em italiano? Quando devemos usá-los e em que contextos e situações? Fiquem tranquilos [state tranquilli], pois o texto é bem explicativo e, além disso, no final deste post, é possível conferir todas as explicações na videoaula que os ajudará a organizar as ideais [organizzare le idee].

Os cumprimentos I saluti
Bom dia! Buongiorno!
Boa tarde! Buon pomeriggio!; Buonasera!
Boa noite! Buonasera!; Buonanotte!
Oi, olá!  Ciao!

A) Buongiorno!

Apesar de ser considerado um cumprimento formal, pode ser usado em contextos informais, das 6h ao meio-dia, e também na parte da tarde, dependendo da região. Como acontece no português, usamos o “buongiorno” seja quando encontramos alguém seja quando nos despedimos.

b) Buon pomeriggio!

Cumprimento formal pouco usado na Itália, restrito a programas televisivos/radiofônicos e à literatura.  Contudo, pode ser usado quando encontramos alguém ou nos despedimos na parte da tarde, dependendo do contexto. O horário que inicia o “buon pomeriggio” varia muito de uma região para outra. Em substituição a esse cumprimento em desuso, hoje, na Itália, as pessoas costumam usar “buongiorno” ou “buonasera”  (explicações na videoaula).

c) Buonasera!

Cumprimento formal que também pode ser usado em contextos informais depois das 17h/18h, ao encontrar ou se despedir de alguém (dependendo da região). O horário de início da “Buonasera” também varia muito de uma região para outra (explicações na videoaula).

buonanotte

d) Buonanotte!

Cumprimento formal e informal usado para se despedir quando vamos dormir. Logo, seja “buonasera” seja “buonanotte”, dependendo do contexto, serão traduzidos pelo “boa noite” em português.

e) Ciao!

O “ciao” é um dos modos informais mais comuns (usado entre amigos e familiares) de se cumprimentar em italiano, e corresponde aos nossos “olá” e “oi”. Dependendo do contexto e do nosso interlocutor, pode ser comparado com o nosso “tchau“. É isso mesmo: “ciao” pode ser usado quando encontrarmos alguém ou quando nos despedimos, mas sobre despedidas falaremos no próximo post.

ciao a tutti!

d) Salve!

Cumprimento neutro (do latim salvus, passar bem, ter saúde) que equivale, grosso modo, ao nosso “olá”, usado quando cumprimentamos pessoas com as quais não temos familiaridade (explicações na videoaula).

Veja a videoaula!

P.S.: Me perdoem se fiquei meio enrolada, mas foi a primeira vez que gravei uma videoaula!!!

Arrivederci e buono studio!

 

 

 

Música italiana: Il Volo

Ciao a tutti!

Ontem à noite [ieri sera], postei no Facebook um vídeo de um grupo italiano chamado “Il Volo” constituído por três rapazes [da tre ragazzi], dois tenores e um barítono: Piero Barone, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginoble. Apesar de serem tão jovens [Nosnostante siano così giovani], interpretam clássicos da música internacional em espanhol, inglês, francês, alemão, latim e da música italiana, como, por exemplo: ‘O sole mio, Torna a Suriento, Mamma, Funiculì funiculà, ‘O surdato ‘nnmmurato, etc. O grupo venceu [ha vinto] o Festival di Sanremo, em 2015, com a canção Grande amore (traduzida no final deste post), que esteve nas paradas de sucesso por meses.

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(créditos da imagem: Vanity Fair)

O trio nasceu [il trio è nato] em 2009, durante a participação dos três cantores na segunda edição do Talent show para crianças chamado Ti lascio una canzone. Piero Barone (de Naro, província de Agrigento, Sicília) – o componente mais velho [più grande] do grupo – ainda não tinha completado 16 anos; os outros dois, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginobe (ambos de Marsala, Sicília), tinham cerca de 14 anos. Todos se apresentaram como solistas por ocasião da segunda seleção para novos concorrentes, antes da qual não se conheciam [non si conoscevano].

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(créditos da imagem: Trieste Prima)

Durante a competição, os três  jovens foram selecionados para interpretarem o clássico italiano  ‘O sole mio. A partir desse momento [Da questo momento], o trio continuará a se apresentar como The Tryo, Il Trio e, por fim, Il Volo.

Escolhi para vocês justamente a canção com a qual Il Volo venceu o Festival di Sanremo, em 2015. A tradução é minha, tentei  ser fiel à letra o máximo possível. Preparem o lencinho para enxugar as lágrimas, pois a interpretação desse trio nos emociona profundamente.

Grande amore                                                   Grande amor

Chiudo gli occhi e penso a lei Fecho os olhos e penso nela
Il profumo dolce della pelle sua O perfume doce da sua pele
E’ una voce dentro che mi sta portando dove nasce il sole É uma voz interior que me está levando aonde nasce o sol
Sole sono le parole Sozinhas são as palavras
Ma se vanno scritte tutto può cambiare Mas se são escritas, tudo pode mudar
Senza più timore te lo voglio urlare questo grande amore Sem nenhum medo, quero gritar para você esse grande amor
Amore, solo amore è quello che sento Amor, só amor, é o que sinto
Dimmi perché quando penso, penso solo a te Me diga por que, quando eu penso, penso só em você
Dimmi perché quando vedo, vedo solo te Me diga por que, quando eu vejo, vejo só você
Dimmi perché quando credo, credo solo in te grande amore Me diga por que, quando eu acredito, acredito só em você, grande amor
Dimmi che mai Me diga que nunca
Che non mi lascerai mai Que você me deixará nunca
Dimmi chi sei Me diga que você é
Respiro dei giorni miei d’amore Respiro dos meus dias de amor
Dimmi che sai Me diga que sabe
Che solo me sceglierai ora lo sai Que escolherá só a mim, agora você sabe
Tu sei il mio unico grande amore Você é o meu único grande amor
Passeranno primavere, Passarão primaveras
Giorni freddi e stupidi da ricordare Dias frios e estúpidos para serem lembrados
Maledette notti perse a non dormire altre a far l’amore Malditas noites perdidas,  sem dormir, outras fazendo amor
Amore, sei il mio amore Amor, você é o meu amor
Per sempre, per me. Para sempre, para mim.
Dimmi perché quando penso, penso solo a te Me diga por que, quando penso, penso só em você
Dimmi perché quando amo, amo solo te Me diga por que, quando amo, amo só você
Dimmi perché quando vivo, vivo solo in te grande amore Me diga por que, quando vivo, vivo só em você, grande amor
Dimmi che mai Me diga que nunca
Che non mi lascerai mai. Que não me deixará nunca
Dimmi chi sei Me diga que você é
Respiro dei giorni miei d’amore Dimmi che sai Respiro dos meus dias de amor, me diga que sabe
Che non mi sbaglierei mai, dimmi che sei Que eu nunca erraria, me diga que você é
Che sei il mio unico grande amore Que você é o meu único grande amor

Arrivederci e buon ascolto! 

Por que estudar italiano?

Quando me inscrevi no vestibular da UFF, em 1994, para o curso de letras português – italiano, muitas pessoas me perguntaram por que eu tinha escolhido justamente o italiano, visto que não era nem mesmo descendente e, além do mais, não seria uma língua que me daria “um futuro” profissional promissor como me daria, por exemplo, o inglês. O único contato que tinha tido com a língua italiana foi no período em que estudei no Istituto Italiano di Cultura, muitos anos antes de prestar vestibular. Lembro que, naquela época, uma amiga de trabalho me falou de um cantor italiano chamado Eros Ramazzotti, que tinha acabado de lançar um CD cujo nome era Più bella cosa, que não sei como não furou de tanto que ouvi!

Colosseo - Wikimedia commons

(Coliseu – créditos da imagem: Wikipedia)

Na verdade, semanas antes, eu tinha prestado vestibular para a UERJ e UFRJ (português – inglês), sem ter conseguido passar para nenhuma das duas. Quando chegou o dia do vestibular da UFF, eu estava convencida de que não passaria, me sentia até um pouco triste e desmotivada. Para minha surpresa, não só passei, como passei em 4° lugar! Todo o meu sacrifício, todas as minhas noites sem dormir e o meu cansaço crônico tinham sido premiados: eu era, oficialmente, aluna de letras da UFF e a minha viagem através do universo da italianística estava apenas começando.

Riva_del_Garda

(Lago di Garda – créditos da imagem: Wikipedia)

Todavia, a pergunta “por que estudar italiano?” pode gerar muitas respostas, pois a maioria dos alunos o faz por motivos vários, que, nem sempre, têm a ver com a escolha profissional, como é o caso do inglês, por exemplo. Muitas pessoas se inscrevem em um curso de italiano por serem descendentes, para as quais a língua italiana é um patrimônio de família que deve ser preservado e transmitido de pai para filho e assim por diante. Tive alunos descendentes que, quando contavam a história do bisavô ou da bisavó, ficavam com os olhos marejados de lágrimas, pois eram histórias de sacrifícios e privações que quase todos os imigrantes vivenciaram, quando saíram da Itália “per fare l’America“, ou seja, tentar uma vida melhor em terras americanas. Outros estudam italiano simplesmente porque o acham uma língua bonita, sonora, doce, romântica; todos adjetivos que ouvimos pelo menos um vez na vida relacionados à língua italiana.

Vale ressaltar que o ápice da imigração italiana no Brasil deu-se entre os anos de 1880 e 1930. A maior parte dos ítalo-brasileiros (descendentes de imigrantes italianos) concentra-se, sobretudo, nos estados do Sul e do Sudeste do Brasil. De acordo com dados estatísticos fornecidos pela Embaixada Italiana, em 2013, cerca de 30 milhões de descendentes de italianos viviam no Brasil, isto é: 15% da população brasileira (metade do Estado de São Paulo).

la moda nell'antica roma - archeoclubtorre

(Créditos da imagem: archeoclubtorre)

Não precisamos de estatísticas para intuir o quanto da cultura italiana está inserida na cultura brasileira, o quanto somos, em algum modo, todos descendentes de italianos. Acredito que a descendência mais significativa é a que chegou até nós por meio do latim: afinal, Roma foi o berço do Império Romano. Em que medida, até hoje, não somos também um pouco romanos? Italiano, português, francês, espanhol, romeno são todas línguas neolatinas, filhas do latim vulgar falado pelas ruas de Roma e de todos os territórios conquistados pelas legiões romanas.

antichi romani - pulcinella

(Créditos da imagem: Pulcinella)

Já pararam para pensar quantos vocábulos os imigrantes italianos deixaram de herança à língua portuguesa? Quantos deles usamos todos os dias sem nos darmos conta? Darei apenas alguns: adágio, andante, camarim, caricatura, aquarela, madrigal, serenata, sonata, soneto, soprano, violino, violoncelo, arlequim, artesão, pastel, cantina, capricho, carnaval, mortadela, gazeta, palhaço, polenta, poltrona, trampolim, macarrão, salame, salsicha, etc. Todos vocábulos, como podemos perceber, de grande cultura ligados às diversas áreas do saber.

emigrazione italiana

(Imigração Italiana – créditos da imagem: Wikipedia)

Quem nunca ouviu dizer que o italiano é a língua das artes, da poesia, da moda, da culinária, da música? De fato, a musicalidade da língua italiana é considerada “la più bella del mondo“, pois até mesmo os verbos terminam por vogal. Quantos de nós não sabem pelo menos uma canção italiana de memória graças, sobretudo, à série de novelas que abordaram, exatamente, imigração italiana no Brasil? Na verdade, o italiano é considerado língua franca no campo da musica clássica, que, há séculos, reúne músicos e compositores provenientes de todo o mundo. Termos inerentes ao universo musical, como, por exemplo, andante con moto, larghetto, crescendo, pizzicato, adagissimo, maestoso, adagio un poco mosso, allegro, e assim por diante, nunca tiveram um tradução adequada e unívoca, razão pela qual são usadas, muitas vezes, em língua original.

Por fim, poderia colocar aqui tantas outras motivações que  levam os estudantes que, como eu, não são descendentes e escolherem a italianística como objeto de estudo para toda a vida, mas acredito que cada um tem a sua motivação pessoal, seja qual for. Então, a resposta à pergunta “por que estudar italiano?” já foi respondida nas entrelinhas deste texto.

Arrivederci e buona lettura!

Carta aos leitores

Olá a todos! Com certeza muitos de vocês já me conheçam como colaboradora do Dicas de Italiano, de cujos posts sou responsável já há algum tempo. Antes de tudo, gostaria de falar um pouco de mim: me chamo Cláudia Lopes, sou carioca, mas moro há 15 anos no exterior. Morei por 7 na Itália e desde 2009 vivo em Zurique, Suíça. Sou formada em letras (português-italiano) pela URFJ, universidade que carrego, até hoje, no coração.

venezia - lontano non esiste

(Veneza – créditos da imagem: Lontano non esiste)

Apesar da distância do meu país, nunca me afastei da minha cultura e, sobretudo, da minha língua. No período em que vivi na Itália, tive a oportunidade de trabalhar como leitora de língua portuguesa na Università degli Studi di Bari. Confesso que foi uma experiência suis generis, porque fui solicitada a ensinar a variante europeia do português, ou seja: tive estudar primeiro para poder ensinar, pois eu nada sabia da língua portuguesa falada em Portugal, e muito menos da cultura. No fundo, essa constatação não deixava de ser inusitada. Afinal, a língua portuguesa falada no Brasil é herança do colonizador, do qual nos distanciamos em modo significativo, a ponto de nada sabermos em relação aos patrícios. Na verdade, não é que não saibamos o quanto da cultura portuguesa está inserida na cultura brasileira, não nos damos conta. Quem sabe algum dramaturgo resolve fazer uma novela sobre Portugal, assim como fizeram sobre a Itália?

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(Fontana di Trevi – créditos da imagem: Wikipedia)

Além de professora de português e italiano, sou também tradutora há mais de 15 anos. Traduzo do inglês e do italiano para português e, dependendo do texto, do português para o italiano. No momento, estou às voltas com o alemão, que exige de mim muito estudo e muita dedicação, não por ser uma língua difícil como se costuma dizer, é só diferente. Uma língua estrangeira é como um amigo: temos que aceitar do jeito que é.

A língua italiana para mim, há muito, é como se fosse a minha segunda língua. Em casa, Sofia, minha filha, fala italiano com o pai, que é italiano, português comigo e, claro, alemão na escola e com os amigos. Vivemos um situação linguística rica, pois Sofia é perfeitamente trilíngue.

Torre di Pisa

(Torre di Pisa – créditos da imagem: Wikipedia)

Affresco Italiano, como já devem ter percebido, será um espaço para o estudo/aprendizagem da língua e da cultura italianas, em seu sentido mais amplo. Seguirei, mais ou menos, a linha de trabalho que tenho desenvolvido no Dicas de Italiano, para o qual continuarei a escrever. Recentemente, abri também um blog dedicado ao ensino/aprendizagem do português brasileiro para falantes de italiano, Claudia Lopes – Idiomi e Traduzioni, se puderem, passem por lá também!

Um grande abraço a todos e até breve com tantas novidades!